Cartas de mobilização

O engodo do leilão de Libra

Ninguém nega que o leilão de Libra foi uma operação financeira importante para o Brasil. O Governo, embora com cinco anos de atraso, agora em toque de caixa, diz ter pressa para começar a exploração do Pré-sal, e a Petrobras não poderia arcar com mais endividamento para os investimentos necessários. O atraso do PT em fazer privatização, e diga-se de passagem mal feita, foi o maior prejuízo deste leilão. O pré-sal já poderia estar produzindo petróleo há muito tempo.

Foi uma operação fiscal, que se propõe, na ótica do governo, a melhorar as contas públicas principalmente este ano, à custa da venda de uma fatia do maior campo de petróleo descoberto no país.

O governo federal afirma que a forma de partilha tem como vantagem o fato de não ter empenhado a riqueza do subsolo para os estrangeiros. A União teria mantido o controle quase total sobre o destino da produção do petróleo. O problema aqui é se o preço que se paga pela incapacidade de uma gestão eficiente do governo federal, não é maior do que permitir à iniciativa privada fazer investimentos no setor.

Ora, é balela do governo federal dizer que o leilão de Libra foi um sucesso. Como pode ter sido um sucesso, se não houve sequer concorrência? Todo mundo sabe que a concorrência é o mínimo que se pode esperar de um leilão de sucesso.  Chega à beira muito mais de um acordo prévio, de cartas marcadas, do que de um leilão. Pois quem venceu, ofereceu apenas o que já estava previsto no edital, sem um litro de óleo a mais de ágio.

Das 40 empresas esperadas pelo governo federal, apenas nove apareceram e cinco formaram um consórcio que apresentou a única proposta.  Em três minutos foram definidos investimentos de bilhões. Será mesmo que foi um sucesso esse leilão, como o Governo está dizendo por aí?

Para os que dizem que não foi privatização, baseados na afirmação de que a União mantém controle total sobre a produção, desconhecem o conceito e prática, pois embora a Petrobras detenha 40%, a extração futura de petróleo está diretamente dependente de recursos privados ou públicos internacionais.

A situação financeira da Petrobras não é das mais saudáveis, por causa do uso político partidário pelo governo federal, com suas interferências em sua gestão. Como atestou a “Folha de S.Paulo” (22/10), a Petrobras é a empresa não financeira mais endividada do globo, segundo o Bank of America Merril Lynch, com US$ 112,7 bilhões em obrigações – além do compromisso de investir mais de US$ 200 bilhões para ampliar a produção com o pré-sal.

O uso da Petrobras, pelo governo Dilma, como instrumento de macro economia, para segurar a disparada da inflação, terá suas consequências nefastas em breve. Isso, mais cedo ou tarde, vai desaguar no bolso do cidadão. Por fim, o leilão, deveras, não foi de longe um sucesso, pelo contrário foi uma decepção, pois  uma disputa que terminou sem concorrência, com apenas um consórcio interessado e arrematada pelo preço mínimo é decepcionante para o presente e para o futuro do Brasil.

31.10.2013

autor: assessoria de imprensa