Cartas de mobilização

O que Francisco tem a dizer à política brasileira

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Não são apenas os católicos praticantes que têm se emocionado com a chegada do Papa Francisco no Brasil. Além de um presente para milhões de fieis, o desembarque do Pontífice ocorre num momento muito bonito da nossa democracia: quando, inconformadas com a situação vigente, as massas levantam-se para protestar e exigir aquilo que lhes é de direito.

Parece até mesmo que a visita do Papa vem incrementar o processo de conscientização política que estamos vivendo; afinal de contas, apesar de distinguir o que é “de César” e o que é “de Deus”, foi o próprio Cristo quem deixou aos políticos a premissa pela qual devem se nortear no trato da coisa pública: “amar ao próximo como a ti mesmo”.

Infelizmente, no Brasil, muitos de nossos governantes não têm seguido esse que seria o maior dos mandamentos cristãos. Diariamente, as imensas filas dos hospitais, o descaso com que a população é “carregada” nos meios de transporte públicos demonstram como falta “amor ao próximo” por parte daqueles que mais deveriam zelar pela sociedade – os detentores do Poder, independente desse ser laico ou não.

E é esse o alerta que Francisco nos faz. É esse o aviso que, por trás de toda a sua simplicidade e humildade, estampa na cara da política brasileira. É hora de dar um basta à omissão. É hora de colocar fim aos desvios de recursos públicos, e, também, aos desvios de finalidade – que fazem com que gastemos rios de dinheiro com aquilo que é supérfluo quando famílias inteiras ainda têm parcas condições de sobrevivência.

Voltemos nossos olhos para Francisco, voltemos nossos olhos para o modo “desapegado” com que exerce seu sacerdócio, desvencilhando-se dos salamaleques diversos e das ricas indumentárias que sempre cercaram os sucessores de Pedro.

Que exemplo é esse que Sua Santidade nos dá? É o exemplo daqueles que, antes de empunhar palavras e discursos, exercitam em suas próprias atitudes o bem anunciado.

Em sua primeira fala, o Papa se disse preocupado com os jovens, com a falta de trabalho para essa fatia da população. Mais uma vez, ele fez o favor de nos apontar, carinhosamente, as nossas falhas. Saibamos ouvi-lo, sim; mas, saibamos, sobretudo, seguir o seu exemplo, para que tais erros não encontrem eco no futuro.

Que Francisco nos traga bênçãos para os caminhos turbulentos pelos quais teremos de passar. Que Francisco nos dê o exemplo de fé e compromisso tão necessários para a realização das mudanças que queremos. E que, acima de tudo, nos mostre que é necessário amar ao próximo “mais” que a si mesmo.

(foto: Thomaz Silva/ABR)

25.07.2013

autor: assessoria de imprensa